terça-feira, 17 de abril de 2007

Verdades absolutas

Para ler escutando Pas Si Simple (Yann Tiersen)
O texto de Eric Michaud, “"Soldados de uma idéia”, ilustra brevemente um dos cenários mais marcados da história, o nazismo, e como a escola situava-se neste marco. De acordo com o autor, podemos identificar diversas funções que o ensino exerceu sobre os indivíduos, em essencial os jovens, viventes desta época. A escola serviu como ferramenta para que Adolf Hitler e seu governo pudessem direcionar as formações dos cidadãos, tanto os preparando-o para guerra, como os doutrinando para servir e obedecer. Desta maneira, gradualmente formavam-se cada vez mais indivíduos com os ideais de Hitler, seguidores de Führer. É através de análises como esta que podemos identificar o importante aspecto do ensino e de quem o ensina. A escola, no nazismo manipulava e transmitia uma restrita verdade, direcionada não há um bem comum, mas sim a um objetivo próprio de um governante. Refletindo sobre a atualidade podemos de algumas formas notar o quanto seguimentos liderais direcionam, porém mais suavemente as verdades.
Notoriamente a psicologia e as formas que o nazismo utilizava para persuadir as pessoas, eram deveras eficientes. Infiltravam-se os objetivos no cerne da formação da identidade do indivíduo, ou seja, na escola. A força desta foi capaz até mesmo de superar a família, como por exemplo, conforme Michaud, quando descreve sobre as moças que voltavam grávidas de congressos e a não aprovação dos pais era inferior aos ideais do nazismo que ansiava em aumentar a raça.
Pode-se desta forma, comprovar o papel que o ensino exerce sobre o ser. No caso do nazismo, o ambiente de aprendizado era usado negativamente, sob pena de desejos individuais e discriminatórios de um governante. Não haveria meios mais práticos e abrangedores do que dissipar as ideologias em um local com um grande número de pessoas e sem personalidades ainda bem formadas. Além disto, a escola tradicionalmente detém a verdade através de líderes como os professores.
O nazismo de forma indireta aplicou-se a escola atuando como controladora de uma massa jovem. Formavam seres ensinados de acordo com seus ideais, os quais se multiplicavam a cada ano, através da disseminação entre os próprios. Ao mesmo tempo, se abolia o senso crítico dos aprendizes, os comunicando uma só fonte para a verdade, a qual era em prol de um objetivo maior, o de criar seguidores incapacitados a analisar, somente seguir sem questionar.
Desta forma, visualizamos a grande responsabilidade que se recai sobre os formadores, que corretamente são chamados de formadores de identidade. Não só no nazismo, mas em todo lugar onde se ensina, o transmissor ocupa encargo de líder. Este é ainda mais reforçado quando não são abertos meios para que o ouvinte interaja, exponha sua opinião ou questionamentos.
Na doutrina nazista não havia espaços para outras posturas, onde a veracidade era única. Com a maciça campanha vinculada aos meios de ensino da juventude, o que se opunha a esta, acabava por ser calado, consequentemente perdendo forças.
Poderíamos fazer uma analogia sobre o que nos conta Michaud sobre o nazismo e com o que vivemos em nossa sociedade influenciada pela mídia. Também esta assume um papel de liderança, obviamente muito menos restrita do que se vivenciou na Alemanha, mas certamente líder de verdades muitas vezes inquestionadas pela maior parte da população. Como por exemplo, a constante pressão ao consumo, disseminado por placas em rodovias, por meio televisivo, revistas e jornais.
De forma mais direta na escola são ensinadas, por muitas vezes, as verdades como únicas, sem a chance de serem questionadas, o que poderíamos relacionar diretamente com a prática de Hitler, mais uma vez logicamente que com diferentes intensidades.
Por fim, notamos com este texto o quanto é importante o papel formador representado pela escola. Mais objetivamente o papel do professor, que se exerce função de líder sobre os que assistem, deste modo influindo fortemente na formação da sociedade e de seus ideais. Contudo, podemos concluir que é preciso instigar o senso crítico para que a verdade esteja sempre aberta a ramificações ao direito à democracia, que mais amplamente acabam por beneficiar os valores éticos e sociais, mais tarde a um todo e não somente a um.