sábado, 22 de novembro de 2008

Guarda-chuva

Som: Você (Elis Regina e Tom Jobim)

Depois de se acostumar que de tempos em tempos vem a chuva, fica mais fácil de superá-la. Saber que o sol existe e que talvez ele leve um tempo para reaparecer acalma a alma. Ao mesmo tempo, lembrar disto às vezes torna o processo mais rápido. Há tempos atrás, não acreditava no poder que as energias particulares sustentam, por razões desconhecidas a vida me levou a crer, me soprou para uma espiritualização antes desconhecida. O poder que temos dentro de nós é capaz de modificar coisas inexplicáveis. Os ventos continuam soprando desde então.
O vento vem primeiro, premeditando a chuva. A tempestade acontece.
Depois que a enxurrada passa, dilacerando, algumas coisas vão embora, outras ficam. Não sabe-se porque as que ficaram, ficaram, nem porque as que foram, foram.Reorganiza-se. Reorganiza-se os pensamentos, os sentimentos. Encrementa-se a personalidade. O molde, o guarda-chuva que construímos, com aros de erros e acertos. A superação, olhos a frente com a serenidade sábia de quem anda na chuva por, ao invés de achar ruim, senti-la com o encantamento de uma criança. O que temer se podemos mudar?
Quando tudo secar ficará mais fácil de pensar.
Já dizia Heráclito, "... o mais difícil é desaprender...entender que o método que nos deu sucesso pode ser o início de nosso fracasso"

Tudo seria mais fácil, não esperássemos saber tudo sobre nós, quanto mais dos outros.
Por outro lado, se fosse assim o sol perderia seu brilho.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Quebra-cabeça

Talvez esteja muito tarde para declarar aqui doces palavras sobre o anoitecer, pois quase já vejo os raios do amanhecer, mas como diz o velho ditado: "nunca é tarde demais".
Pois é, nunca é tarde demais pra ver que errou e pedir perdão, nunca é tarde demais admitir um amor escondido, nunca é tarde demais para perder o orgulho. As vezes, sinto que tudo tem uma ocasião correta para acontecer, mesmo que eu não saiba donde tenho tanta fé nisso, e nem mesmo uma pequena idéia de por que, eu sei que isso é um sentimento forte demais para não ser verdade. O que mais me impressiona é que a fé e a esperaça é tanta que acaba me tranquilizando e talvez seja daí que surjam forças extraordinárias para que eu continue neste crédulo. O que mais prestígio em toda esta crença é que depois de um tempo noto que as coisas se encaixaram como quebra-cabeça, nada sobra só aumenta, e em alguns momentos uma peça que estava de canto é lembrada, noutros algumas ficam de lado, esquecidas como se estivessem sobrando no jogo e quando menos se espera lá esta o lugar delas. Esses são os momentos em que achamos que é tarde demais para encaixarmos uma peça, mas na verdade era preciso entender onde outras se encaixavam para poder achar o lugar perfeito para o próximo encaixe, nunca é tarde demais.

domingo, 24 de agosto de 2008

Dias de hoje

Som:

Como acreditar em pessoas? Quantas vezes já retomei a esperança no ser mais capaz de mudar o ambiente, e tantas quanto acabei por me decepcionar. A cada dia me convenço de que somos ruins por natureza, somos seres domados para viver em comunidade, mas não damos conta de nossa capacidade intelectual descanbando para o instinto de sobrevivência. Vivemos lutando contra nós mesmos principalmente para viver "moralmente", no entanto nossas almas gritam por liberdade, por poder fazer o que se quer quando se quer e que o resto se expluda. Dois segundos depois vem a voz da mente domada nos dizer que o ato não condiz com que se espera de um sujeito doutrinado. Sejamos francos, existem dia que acordamos, mas na verdade não queriamos acordar, existem momentos que temos de falar, mas na real não queremos falar, temos que tomar decisões quando a vontade é decidir coisa alguma, mas temos que seguir o fluxo do rio ou então ele nos afoga. Quantas vezes queremos falar, mas as feridas abertas não deixam os sentimentos extrapolarem, quantas vezes acordamos e nossa felicidade é podada no primeiro bom dia, quantas vezes a decisão já foi tomada e tem de ser mudada por circunstâncias além do nosso entendimento e o que fizemos para mudar isso? Sinto raiva de mim por ser mais uma que dosa a felicidade. É a vida. Então retomo a pergunta, como acreditar em seres que também vivem se contendo? Interpretando uma vida, as nossas vidas, parece ser tudo um "show de Truman".

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Som: Felicidade (Vinícius, Tom e João Gilberto)

Eu aqui à uma hora da madrugada de sábado. Parei para descansar...
Meu natural é o pessimismo, apesar da perspicácia, mas quando o trabalho é pesado gosto de olhar para lua e lembrar dos presentes da vida, e aqui os brindo:

Fico pensando, por quantas fases já passei neste pequeno espaço de tempo em que vivi. O que já conquistei e as expectativas do que ainda há por vir. Olhar para trás e ver tudo que já se passou, poder dizer que aproveitou ao máximo a sua vida com certeza é das sensações mais refinadas que podem existir!
Escutar uma boa música pegando a estrada para a praia, mais do que um feriado de descanso, é um presente que a vida nos dá! É a recompensa por aqueles dias sofridos, pelas angústias que já sofremos, as dúvidas que superamos.
Comer um churrasco em meio a natureza em um domingo com a família reunida, não é só um final de semana qualquer, é um brinde à harmonia, a concretização do sonho diário de felicidade!
Encontrar aquele amigo de anos que não vimos há séculos, é mais do que êxtase, é amor que sentimos todos os dias, mas que se materializa quando nossos corpos se abraçam, é amor sentido na pele!
O ato de perdão é mais do que ato de compaixão, é presentear a si mesmo é grandioso!
Ver o seu nome em uma lista de aprovados, é mais do que um objetivo alcançado, é o primeiro passo de uma vida, é um objetivo repleto de outros tantos!
Ver o mar, sentir a areia, não é só sinônimo de férias é o reflexo do divino, é o mundo em paz!
Reencontrar uma paixão antiga de escola, é mais do que um volta ao passado, é promessa de futuro, é nostalgia, ou é puro fogo de palha com gosto de sacanagem!
Conquistar o difícil é mais do que meta, é prazer e é descartável!
Olhar o seu trabalho refletido em outras pessoas, a plantação de dignidade, o reflexo do amor, é mais do que profissão é compromisso com a vida!
Desafios são o roteiro da peça!
Sacrifícios são o pano de fundo!
A direção fica por sua conta!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Cegos

"Se não fosse o dinheiro do Bolsa Família, passaríamos fome".

"...Com o nascimento do segundo filho a expectativa dela é receber mais 18 reias do
programa..."

Depoimento de dona de casa beneficiada pelo Bolsa Família.

Moral da história : dona de casa, segundo filho, expectativa de ganhar 18 reais.

Pão e circo para o povo.

sábado, 14 de junho de 2008

À brasileira

Sem som!

Eu acho engraçado, para não dizer triste, a grade de programação dos jornais televisivos, principalmente da emissora Globo.
Deslocaram todos os críticos para os jornais das 6 horas da manhã e meia-noite. No mínimo curioso não?
Sabe-se, obviamente, que as críticas passam por um filtro. Fazendo analogia com a físico-química, poderíamos dizer que o que é transmitido, de dentro para fora, passa por uma membrana semi permeável, esquecendo a osmose . Sem mais delongas nos assuntos científicos, vamos à prática.
Mesmo que os críticos sejam pouco críticos, desse ponto de vista, são capazes de influenciar ou pelos menos levar a raciocinar os desprovidos de senso lógico. O que, sendo otimistas, poderíamos chutar se tratar de uma parcela de 80% da população brasileira. Tá, agregamos um pouquinho de pessimismo e de encontro à realidade sabemos que há muito mais do que simples organização nesta grade de programação.
Falei em Jabor na postagem passada o que me fez lembrar de um fato. Foi ele um dos distanciados da jornalística política por "se passar" no seu tom crítico em pleno horário nobre. Tá aí, o próprio nome diz, o nobre dispensado à plebe. Camada esta, que para o bem da nação corrupta deve continuar sendo plebe, e para isso partículas graúdas como Jabor devem ficar limitadas na membrana semi permeável da mídia brasileira. Olhando sob esse espectro, deve Jabor ter escrito sobre as "mulheres para casar" em momento de revolta com esta censura mascarada, é até perdoável.
Outro é Alexandre Garcia que viajou das telas nobrérrimas do Fantástico diretamente para o Bom Dia Brasil. Além ter ficado retido na membrana, os cochilos dos nossos representantes parlamentares, ainda perdemos o seu sensacional parecer cômico-inteligente sobre tais aspectos.

Lamentável saber que a nossa porção externa fica cada vez mais restrita, e que os poros só aumentam para as partículas alienadoras de mentes. O povo viciado morre, morre lentamente e ilusoriamente feliz!
Tipicamente à brasileira.

domingo, 8 de junho de 2008

Medo de ser o que se é!

Para ler escutando Nem luxo, Nem lixo ( Rita Lee)



mudou?
Acompanhada de meu expresso
forte, recomeço...
Às vezes, acontecem coisas que balançam a base de nossas opiniões. Somos metamorfoses ambulantes, como já dizia Raul. Escrevo sobre a humanística, especificamente a percepção que temos "do outro". Pois bem, é incrível a formulação que fizemos de uma pessoa, assim que a enxergamos. No primeiro olhar já se faz algum juízo, é natural, é humano, olha-se e dali já saiu o pré-diagnóstico. Inevitável, existem pessoas que realmente não nos descem, outras é amor instantâneo. Há ainda, as que surpreendem e mudam completamente a maneira como são vistas. Pode ser uma palavra, uma atitude e como um passo-de-mágica se transformam. Por estas, eu tenho verdadeiro encanto, as que guardam certo mistério, que você não dá à mínima e de repente se mostram muito diferente do que pensávamos. Bom, é verdade que nem sempre esta surpresa é encantadora, existem pessoas maravilhosas que a primeira letra nos remetem a sair correndo. Pois bem, a realidade é que construímos as pessoas de acordo com nossas percepções e princípios e não o que essencialmente são. É fato, cada pessoa é uma pessoa para cada pessoa que o vê.
Até o momento falo da parte introdutória, fase da convivência social. O que me angustiou em um sábado, já havia a muito passado da fase de introdução de relações sociais. São como sinais, a primeira percepção foi aquela “boa”, a segunda ao pouco conhecimento via-se o tom de marketing, tão valorizado na sociedade de hoje, a meta é mascarar-se. Então, falo da mentira que as pessoas criam para vender sua própria imagem. Agem como vendedores de si e tentam, ao último, esconder suas imperfeições. Sempre fui adepta da verdade, aos poucos vou tentando aprender a aprender a não me iludir que ela é regedora. Sim, porque o que vimos é a criação de uma massa de mentirosos, covardes, incapazes de serem francos pelo medo de perder. Não haveria outro caminho já que os maiores formadores de opinião da atualidade possuem este perfil. É o que vimos todos os dias através de aparelhos alienadores abancados em nossas casas. Mais covardes ainda são os que se prestam a escutar passivamente as mentiras diárias, seja nas próprias relações, seja pelos meios de comunicação.
A grande pergunta que me faço é: por que a mentira toma dimensões tão grandes em nossas convivências? Talvez, não seja o medo de perder que os faça, talvez, seja o medo de não ser. Inúmeras razões existem, mas todas caracterizam a covardia. Se não há coragem ou capacidade o suficiente para sustentar-se a verdade, nada mais merecedor do que a ilusão. Explicada a população medíocre que se prolifera em proporções exponenciais.
Drástico, provável que o rancor ainda esteja perdurando. Tento me desprender do princípio de que as pessoas não optam primeiramente pela sinceridade, porém certamente não desprenderei jamais de tê-la como princípio próprio. Vai ver é por isso o meu encanto com o inesperado ou simplesmente por amar o que é natural. Quero saúde para gozar no final...