Depois de se acostumar que de tempos em tempos vem a chuva, fica mais fácil de superá-la. Saber que o sol existe e que talvez ele leve um tempo para reaparecer acalma a alma. Ao mesmo tempo, lembrar disto às vezes torna o processo mais rápido. Há tempos atrás, não acreditava no poder que as energias particulares sustentam, por razões desconhecidas a vida me levou a crer, me soprou para uma espiritualização antes desconhecida. O poder que temos dentro de nós é capaz de modificar coisas inexplicáveis. Os ventos continuam soprando desde então.
O vento vem primeiro, premeditando a chuva. A tempestade acontece.
Depois que a enxurrada passa, dilacerando, algumas coisas vão embora, outras ficam. Não sabe-se porque as que ficaram, ficaram, nem porque as que foram, foram.Reorganiza-se. Reorganiza-se os pensamentos, os sentimentos. Encrementa-se a personalidade. O molde, o guarda-chuva que construímos, com aros de erros e acertos. A superação, olhos a frente com a serenidade sábia de quem anda na chuva por, ao invés de achar ruim, senti-la com o encantamento de uma criança. O que temer se podemos mudar?
Quando tudo secar ficará mais fácil de pensar.
Já dizia Heráclito, "... o mais difícil é desaprender...entender que o método que nos deu sucesso pode ser o início de nosso fracasso"
Tudo seria mais fácil, não esperássemos saber tudo sobre nós, quanto mais dos outros.
Por outro lado, se fosse assim o sol perderia seu brilho.

